abino radicado no Brasil assume cargo no Congresso Judaico Mundial e tentará conciliar grupos Hamas e Fatah.
O ex-presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP), Henry Sobel, terá pela frente a difícil missão de tentar promover a paz na Faixa de Gaza, palco de recente conflito entre o grupo palestino Hamas e o Exército de Israel, que deixou um saldo de 1,3 mil mortos. O rabino Sobel, de cidadania americana e radicado no Brasil há quase 40 anos, foi nomeado assessor para Assuntos Interreligiosos do Congresso Judaico Mundial durante a última Assembléia da entidade, em Jerusalém. O organismo representa comunidades israelitas de cerca de cem países.
Na nova função, o religioso continuará no Brasil e viajará para algumas missões especiais, sobretudo no âmbito da América Latina. Um dos objetivos do religioso é colaborar para uma conciliação entre o Hamas e o Fatah, duas facções palestinas rivais. Antigo barril de pólvora da Terra Santa, a Faixa de Gaza, estreita região no litoral sul do Estado judeu, está sob administração da autoridade Palestina, mas é governada de fato pelos líderes do Hamas, situação que Israel quer mudar pela força.
Sobel precisou afastar-se da presidência da CIP em 2007, depois de ser flagrado furtando gravatas em uma loja nos Estados Unidos. O escândalo, que nunca foi satisfatoriamente explicado – o rabino é um homem de posses e alegou que o ato foi fruto de um “transtorno psicológico” –, desgastou sua imagem, mas ele ainda é respeitado por sua trajetória. Militante dos direitos humanos, nos anos 1970 ele juntou-se a líderes católicos na luta contra as torturas praticadas pelo regime militar brasileiro (1964-1985). Foi presença constante em movimentos sociais e nas grandes questões brasileiras contemporâneas, como a campanha pela volta das eleições diretas e o movimento popular que levou ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor.
Em março, Henry Sobel será homenageado com um concerto na Sala São Paulo, no centro da capital paulista, com a participação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis e da cantora Zizi Possi. “Ele é o símbolo da luta pela liberdade no Brasil”, afirma o amigo Walter Feldman, um dos organizadores da festa e atual Secretário Municipal de Esportes e Lazer.